Salve pessoas. Hoje vou revisitar um tema abordado em um artigo que escrevi para o imasters há um tempo e desta vez vou além, principalmente com o que aprendi nos últimos anos. Estou atuando junto à comunidade PHP desde 2008 e estive muito próximo ao PHPWomen Brasil desde 2015, quando tive a oportunidade também de colaborar com o Women Dev Summit. Estive muito próximo a pessoas extraordinárias: mulheres na maioria e LGBT+. E como aprendi! E como me tornei uma pessoa melhor!

Nesse tempo aprendi a, inicialmente, escutar. Escutar antes de retrucar. Escutar antes de interromper. Escutar sem explicar. Escutar e de fato dar ouvidos. Escutar a vítima antes do agressor. E como isso é bom! E como faz bem! Permita-me explicar:

Poderia usar palavras como mansplaining ou manterrupting, mas tentarei ser mais assertivo: (infelizmente) em nossa cultura homens acreditam ter prioridade na comunicação, mesmo que sem intenção (spoiler: sim, há intenção). Por isso é muito comum ver um homem interrompendo uma mulher (ou alguém que ele inferiorize). Ou explicando novamente o que uma mulher acabou de explicar. Tendo realizado que eu estava errado (e sim, admitir é difícil) decidi ouvir melhor: não só minha companheira à época, mas às pessoas que ela tentava ajudar na comunidade onde fui me envolvendo cada vez mais.

Uma vez que eu ouvia melhor, compreendia melhor toda a luta diária da qual as mulheres sempre se queixavam. E lembrava de quando era garoto, filho de uma mãe solteira que recebia “elogios” na rua. Agressões. E quantas agressões essas mulheres passavam todos os dias. E meus amigos gays, minhas amigas lésbicas, trans… E como não me sentir mal ao realizar de fato o que elas sofrem em eventos que de uma maneira ou outra eu colaborava para que acontecessem? E como não me revoltar ao ver as agressões acontecerem na minha frente? E pensar que poderia ser minha namorada, minha mãe…

Não… essa é a desculpa que todo homem dá nessas situações… colocar a mãe, esposa, filha no lugar da agredida… enquanto não se imagina essas figuras na mesma situação, não se incomodam…, mas e tentar se colocar no lugar da agredida?

empatia

sf.

1 Psicol. Habilidade de imaginar-se no lugar de outra pessoa.
2 Psicol. Compreensão dos sentimentos, desejos, ideias e ações de outrem.

Para se colocar de fato no lugar de outra pessoa deve-se desapegar de si mesmo. Deve imbuir-se do passado daquela pessoa. Deve entrar de corpo e alma naquele contexto. A partir do momento que você entende que uma mulher em um evento de tecnologia não teve acesso a essa tecnologia quando criança pois não era coisa de menina. Que foi desacreditada durante o ensino de tecnologia pelas pessoas nas quais ela mais se apoiava. Que foi “a vitrine de vira-latas” na escola e no trabalho. Que a mera ideia de usar do transporte coletivo é aterrorizante. Que, para ter algum destaque na carreira tem que minimamente ser muito melhor que um homem na mesma posição para ser comparada em igualdade. Não obstante, vai a um evento para justamente melhorar seu conhecimento e é agredida e julgada de maneira desigual por ser… mulher. E que muitas vezes tem que deixar de lado sua feminilidade para poder se misturar no trabalho e vida para não sofrer tanto.

“Mas tudo isso é só frescura”. Só me pus no lugar da mulher no parágrafo acima. “Não-héteros” (pois qualquer definição diferente de algumas pessoas soa como anormalidade, não é mesmo?), Negros, Muçulmanos, etc. Ser diferente do “dominante” é extremamente difícil. Dica: não há dominante. Há uma cultura retrógrada. Atrasada em pelo menos 5 milênios.

A capacidade de cada um independe de sua cor, gênero, orientação sexual, credo ou qualquer atributo que possamos imaginar. Criação, Programação, Gestão… todos esses conhecimentos são para todos. Em casa, no trabalho ou em qualquer lugar. Invariavelmente todos que estão lendo estão trabalhando ou estão à procura de emprego. É algo fundamental na sociedade. Agora imagine que, por ser mulher, você é “menos capaz” que um homem para uma determinada oportunidade de trabalho pois você tem um problema: pode engravidar… Ou que por qualquer motivo de sua aparência você não seja a pessoa adequada para se apresentar em uma reunião de negócios.

ESTAMOS EM 2018! Podemos literalmente conversar em vídeo com alguém do outro lado do globo ou em uma estação espacial! Nossos veículos não dependem mais de combustíveis fósseis! Estamos reproduzindo células para cura de doenças! E AINDA PRECISAMOS FALAR DE DIVERSIDADE! E ainda tem gente que se sente superior por ALEATORIEDADES GENÉTICAS! E pessoas são privadas de oportunidades por essas mesmas ALEATORIEDADES! E pessoas MORREM pelas mesmas ALEATORIEDADES! Somos mais de 7 Bilhões de ALEATORIEDADES, com os mesmos 46 ou 47 cromossomos e com o mesmo sangue vermelho!


As Mulheres não querem mais direitos que os outros — somente de ter as mesmas oportunidades. A Comunidade LGBT+ não quer que héteros deixem de sê-lo. Os Negros não querem nada além de notoriamente serem nossos irmãos, como deveriam sê-lo desde sempre. As pessoas chamam de “minorias” sem nem se dar conta que na verdade são Forças. Força de evitar o conflito e encarar a vida e o futuro juntos.

O que todos querem e mais do que merecem é RESPEITO.