Salve, pessoal.

Algo que é essencial para o bom convívio em qualquer conjunto de pessoas, de duas a 10 milhões, é o conceito de comunidade – apesar de atrelarmos o termo a diversas ideias diferentes, dificilmente sendo aplicado a qualquer uma delas. Mas o que é uma comunidade? Para que serve? Como uma começa? Quais as aplicações práticas? O que elas podem proporcionar?

Comunidade, por definição, é o agrupamento de pessoas em prol de um objetivo comum. E uma comunidade, em teoria, funciona assim desde o começo dos tempos. Quando várias pessoas atuam em prol do benefício de um indivíduo, temos a relação de poder e hierarquia – que vai em direção oposta ao conceito de comunidade.

Normalmente o objetivo de uma comunidade é uma necessidade em comum entre seus primeiros membros – desde os primórdios, a necessidade por distribuição de recursos como comida e abrigo a, nos dias de hoje, a necessidade de distribuição de renda… que representa comida e abrigo para muitos.

Entrando no tópico de objetivos profissionais, uma comunidade surge quando há uma deficiência no mercado. No mercado de tecnologia em específico, a necessidade normalmente se reflete em qualificação precária. Qual a solução para esse problema? Educação por meio do fomento do conhecimento de profissionais com mais experiência. Esse é o objetivo mais comum para o qual algumas pessoas que sentem essa necessidade e veem essa solução se reúnem para formar uma comunidade.

É muito comum encontrarmos comunidades de tecnologia. Seja para passar conhecimento sobre como usar uma determinada linguagem, como criar aplicações práticas com tecnologias já existentes. Quando falamos de tecnologia, isso vai bem além. Comunidades se retroalimentam espalhando conhecimento e propiciando um ambiente de contribuição para elas mesmas.

A comunidade PHP é um exemplo disso: a linguagem é open source, diversas pessoas “gastam” seu tempo criando conteúdo para o fomento do conhecimento. Outras pessoas usam esse conhecimento para criar ferramentas para facilitar o desenvolvimento usando essa linguagem. Outros ajudam na documentação e gestão de qualidade. Outros ajudam a codificar as atualizações dela. Isso é um investimento na verdade, pois em uma comunidade ajudamos no ambiente que nós mesmos usamos. Óbvio que isso se aplica a diversas comunidades, como Python, Ruby, Java, JavaScript (em todas as suas derivações).

Claro que isso não se limita a comunidades de software livre. Empresas também criam comunidades em torno de sua tecnologia. Vamos aos maiores exemplos com Google e Microsoft. Os GDGs e MSDN são grupos que cultivam o espírito de comunidade com o objetivo de que mais pessoas saibam como usar essa tecnologia. Podemos pensar que o interesse é de lucro no final e que isso não seria uma comunidade. Digo que sim, há o interesse de lucro, como qualquer empresa o tem. Mas o espírito dentro dessas comunidades é de simplesmente ajudar quem quer aprender, trabalhar esse conhecimento gerado, creditar as pessoas que se destacam e melhorar a tecnologia e o ecossistema como um todo.

Empresas, como as que citei acima, tiram proveito apoiando essas comunidades. Qualquer empresa que queira criar um ambiente de evolução em torno de sua tecnologia pode criar e alimentar uma comunidade – seja para sua tecnologia em específico, seja para a plataforma que é base de seu produto. Pense em um projeto que disponibiliza sua tecnologia para que seja base de outros produtos, como é o caso da AWS ou do PayPal. Eles criaram comunidades em torno de seus produtos para que houvesse cada vez mais pessoas capacitadas a criar em cima e fomentar sua tecnologia. Quem ganha com isso? Todos: a empresa que terá mais clientes, os membros da comunidade que aprendem e ensinam num círculo virtuoso, que aprendem como trabalhar e criar oportunidades de negócio com esse ambiente.

Empresas também ganham quando trazem o espírito de comunidade para dentro de casa. Times de desenvolvimento podem ser comunidades. Se as pessoas envolvidas se reconhecerem em prol de um mesmo objetivo (“evoluir o produto e o nosso conhecimento “sustentavelmente” é um bom começo) e mantiverem o conceito de que todos ali têm o mesmo objetivo e que ensinar e aprender estão lado a lado, com certeza o clima pode ser diferente. Há uma palestra do Cal Evans que sempre cito, o Open Teams, que aborda um curioso fato: normalmente as pessoas em uma comunidade open source produzem mais e melhor que o time que está recebendo dinheiro para produzir dentro de uma empresa – e quais são os pontos chaves que distanciam os dois.

Isso se limita a tecnologia? Óbvio que não! Lembre-se: pessoas em prol de um objetivo em comum. Você deve ouvir muito acerca de “comunidades carentes”. Esqueça o “carentes” e pense em pessoas com o objetivo de tornar suas vidas, e de sua comunidade, melhor.

(postado originalmente em Comunidade e desenvolvimento @ iMasters)