Salve!

Diferente do que pode parecer, não quero que este seja mais um daqueles textos dizendo que o mundo do empreendedorismo é maravilhoso e que você deveria abrir sua própria empresa – nada contra, mas não é a ideia aqui. Quero dizer que você pode empreender, ou já empreende, de várias maneiras, e é bom desenvolver isso.

Há alguns anos, minha até então carreira de desenvolvedor guinou para a gestão, que exerço com prazer, assim como o código nosso de cada dia me agraciava, e ainda agracia. Mas, neste ano de 2015, tentei algo até então inédito para mim: ser empresário de fato. Junto com alguns sócios que fundaram a empresa, comecei meus trabalhos com a Agrosmart, e havia muito a ser feito. Apesar da constante associação com o empreendedorismo, dado que a empresa participa de diversos projetos dentro dessa área, como o StartUp Brasil e o Call to Innovation, caiu a minha ficha de que não era a primeira vez que eu estava empreendendo. Na verdade, isso começou bem antes.

Iniciei minha carreira de desenvolvedor ainda antes de estar nesse papel. Quando trabalhava no Hospital de Itapevi como escriturário, havia uma certa dificuldade em trabalhar com o censo diário de pacientes e pedidos de medicamentos. Muito trabalho manual e repetitivo. O computador no qual eu trabalhava dispunha somente do terminal com o sistema do hospital e do pacote Office – que dispunha naquela época de um programa chamado Access, que era basicamente uma interface programática de banco de dados. Então, eu automatizei o meu trabalho e o dos meus colegas, e ganhamos agilidade nos nossos processos. Essa ação foi uma das responsáveis pela minha vindoura promoção ao CPD, onde de fato atuei como desenvolvedor pela primeira vez. Sim, profissionalmente esse foi meu primeiro empreendimento.

Embora muitas das definições que encontramos para a palavra empreendedorismo sejam relativas a criar do zero um novo negócio ou empresa, gosto muito de uma que está no dicionário Priberam:

s. m. Atitude de quem, por iniciativa própria, realiza ações ou idealiza novos métodos com o objetivo de desenvolver e dinamizar serviços, produtos ou quaisquer atividades de organização e administração

Ou seja, não depende somente da criação de uma empresa. Empreender está mais relacionado à livre iniciativa para o desenvolvimento (nesse caso, não somente software).

Empreender, em minha humilde opinião, está mais para resolver um problema por conta própria do que abrir uma empresa. Se isso te levar a abrir uma empresa, melhor ainda. Por quantas vezes você já não se questionou se aquele processo desnecessariamente engessado na sua empresa, seja você desenvolvedor, gestor ou dono, não poderia ser simplificado? Talvez com um novo software, ou uma nova ideia, todos poderiam tirar proveito.

Vamos dizer que na sua empresa o incentivo a aprender é deixado de lado, ou mesmo que a empresa para a qual está trabalhando não dá a mínima para seu aprendizado. Mas essa necessidade latente está lá, pois profissionais da área de desenvolvimento precisam estudar sempre – o conhecimento é a base do seu trabalho. Já que não o fazem por você, comece você mesmo. Crie um grupo de estudos com um objetivo – uma certificação, por exemplo. Reúna-se com seus colegas em horários oportunos para estudar. Sim, você empreenderá também.

Ainda no tópico de aprendizado, mas de maneira mais prática: já sentiu que a solução para um problema era um novo projeto, complementar ao atual? Um time para o qual trabalhei passou por isso. O problema era sincronizar os pedidos entre um software legado, sem APIs, e um software com desenvolvimento mais ativo. Algumas pessoas desse time desenvolveram um middleware para realizar essa sincronia. Na primeira semana, uma prova de conceito; na outra, um protótipo funcional para então o Marley entrar na linha de desenvolvimento paralelo às demais aplicações da empresa.

Eu não poderia falar de empreendedorismo sem falar do caso mais comum: quando você está criativamente limitado pelo projeto no qual está trabalhando, e a única saída que vê é sair e desenvolver a sua própria solução. Esse é um caminho mais difícil, mas no qual eu vejo mais e mais pessoas se arriscarem. É certo? Se você tiver a consciência de que criar um negócio não é simplesmente colocar a ideia para funcionar, considerando riscos, contratações, contas, e mais tragicamente impostos, ok, vá em frente e faça! Caros, longe de mim querer jogar água fria no empreendedorismo. A questão aqui é que vejo “startups” nascerem tão rápido quanto morrem por seus criadores, por vezes pessoas talentosíssimas, mas que pecaram por enxergarem de maneira míope o que estavam criando.

O espírito empreendedor não reside somente nas startups. Está em todo lugar. Há diversos pensadores que citam a criatividade como forma de superar a rotina. A rotina é o que fazemos todos os dias, sem intervenções. Se a rotina nos é de alguma forma nociva, buscamos vencê-la. Seja criando algo, ou uma nova forma de fazer o que nos é comum. Em outras palavras: não se acomode. Empreenda no código, no projeto, na empresa e na vida – na sua e na de quem lhe cerca.

(postado originalmente em Aprenda e empreenda @ iMasters)